quinta-feira, junho 21, 2007

GLOB(o) alizações

(OU Um choque de realidade numa ida ao super sabe sempre bem)

No corredor das frutas e legumes, já por norma sempre estrangeiradas (e caras, claro!) reparo nas cebolas. E a minha alma fica (ainda mais :P) parva: Australianas??? Mesmo da Austrália??? What??? Are you talking to me?? (Não, Cool, não é um problema de concorrência que nós não produzimos cebolas :DD). É mesmo um problema de falta de encaixe!! Austrália?? “Habia nexexidade”??... se calhar havia!

No outro, logo à frente, dos lacticínios, um casal meia-idade (é giro como aos 15 catalogamos qualquer alma de 40 de cota… e aos 30, bem aos 30, os 40 parecem-nos um charme! O Darwin explica. Ou o Freud. Ou os dois. Ou outro qualquer. Esquece!) assim tipo nos 60 a 70, comenta demoradamente os iogurtes (e eu logo, de mim para mim, ai que giro deve ser para os netinhos)… e tal e tal e eu ali à espera que também queria daqueles… e eles, olham, sorriem envergonhados, e ela, mulher logo mais despachada que toda a gente sabe como são os homens para pedir ajuda, lá avança… se os podia ajudar. Ah claro e tal diga lá… não sabiam ler. Os dois. E fiz um tremendo dum glup. Não pelos “pedaços ou sem pedaços” ou até pela “validade” ou falta dela (e aqui estranhei porque o meu avô não sabia ler mas nos números era totalmente artista. Empreiteiro de 1ª fazia os cálculos e os orçamentos sozinho. E lembrei-me do olhar dele embevecido (palavra que de modo algum combina com ele mas naqueles momentos havia ali uma transformação qualquer) quando aos 7 anos me pedia para lhe ler o jornal e ficava ali tempos e tempos a ouvir-me). O que me incomodou hoje foi mesmo pensar nos percalços de uma vida inteira, a dois, assim: privados de ler o mundo! Vim embora a desejar que se tivessem só esquecido dos óculos em casa.

Vá, e não resisto a contar, a eterna cena emigrante*: a manhezinha que fala um italiano muito para lá de ma(fio)nhoso com a cria adolescente (e eu, de mim para mim, ai coitadinho que já não aprendeu a língua dos pais), que lhe responde num italiano perfeito (confirmava-se, portanto a teoria) , mas que depois, num português exemplar, também responde à avó que prefere os cereais com chocolate! :DDD Eu sei, eu sei. Todos os momentos servem para praticar. É que me lembrei logo do blogue da CJ! ;))


*Atençãozinha, lá está a bloguer que há em mim a dar explicações, que tenho o MAIOR respeito pelos nossos emigrantes. Sim, por todos em geral, mas pelos nossos ainda mais particularmente. Porque o fazem em condições limite, muitas vezes sem qualquer apoio. São uns verdadeiros (sobre) viventes! E se conheço melhor a nova emigração: a qualificada, que o fez por opção, também conheço muito bem a outra: que sem falar nada mais que o português, e na ausência de opção, se fez à vida e ao mundo. TODO o respeito. Mas isso não impede que faça piada, por exemplo, com a forma como (des) aprendem a conduzir :DDD.

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23 Comments:

Blogger Cristina said...

Vivi uns anos na Madeira. E lá é que de vez em quando na paragem do autocarro, me vinha um velhinho/a perguntar qual o destino porque não sabia ler. Sempre que me fez muita confusão... Porque o meu avô aprendeu a ler e a escrever sozinho. Aliás ele escreve como ouve. É muito engraçado...
Parece que o mundo está inacessível para essas pessoas.

Bjos

Cristina

junho 21, 2007 1:29 p.m.  
Blogger Cool Mum said...

Alguma coisa vai mal quando compensa mandar vir cebolas de tão longe. Ainda não viste os alhos da China?

Glup como tu. Uma vez aconteceu-me uma assim numa caixa do Multibanco. Se quisesse tinha sacado um monte de dinheiro ao senhor.

Os nossos emigrantes são fenómenos antropológicos, mesmo, com todo o respeito.
Conheço mais de perto os casos Açores- EUA/Canadá.
Imagina que, nos anos 50 as filhas de emigrantes, já casadoiras, vinham passar férias 'à ilha' e caçar marido. Era passagem garantida para lá, e isso era um bem muito cobiçado. Ainda hoje oiço a história de uma que veio com mira no meu pai, que não foi na conversa. Depois tentou o segundo irmão (os outros ainda eram pequenitos) e pelo menos 2 primos. Acabou por regressar já noiva, mas não de ninguém da família.
Mas deu drama com o meu avô, que se zangou à brava com os filhos por desperdiçarem a oportunidade.
Acabaram quase por cortar relações e vir estudar para 'o continente' sem apoio do pai.

junho 21, 2007 1:31 p.m.  
Blogger Zuza said...

Pois... e a mim apetece-me logo dar uma de "oh pra mim tão fina que já morei no "istrangeiro". Mas lá, em 6 meses, só me cruzei com uma senhora (80 a 90 anos) que, pasme-se não falava inglês! E eu não estava num país cuja lingua oficial fosse essa. Porque a taxa de pessoas que falam uma segunda lingua é abismal. suponho que o analfabetismo seja residual (rimou :PP).

O que me magoa mais por cá é que TANTOS idosos tiveram uma vida tão dura logo na infância... e depois na 3ª idade é o que se sabe!!! Enfim...*suspiro*

O Cool que história FANTÁSTICA!!! Quer dizer matéria para um livro não falta nessa família ;))))

junho 21, 2007 1:41 p.m.  
Blogger anne said...

A minha avó também não sabe lêr e é dos maiores desgostos que tem. A minha avó seria uma pessoa que se daria bem na blogosfera, que ela é toda dada a filosofar e desertar. Quando aprendi a escrever muitas vezes ela me pedia para passar para o papel as suas palavras, ela fazia quadras, poemas, cartas para os filhos que mais pareciam romances...
se calhar perdeu-se uma escritora e não se sabe
:D

junho 21, 2007 2:24 p.m.  
Blogger Zuza said...

Que bonito Patrícia! Quem sabe um dia não escreves por ela ;DDD

junho 21, 2007 2:27 p.m.  
Blogger Mae Frenética said...

Devem ter-se esquecido dos óculos, vamos pensar assim, sim?? :(

E já agora, vê se nesse super não precisam ninguém para ir estudar a qualidade das cebolas para a Austrália, sim???

Qto aos emigrantes, só depois de emigrar por uns míseros meses é q eu percebi pq gostavam tanto do "Made in Portugal"... tudo o q é nosso passa a ser fenomenal.

junho 21, 2007 2:41 p.m.  
Blogger Mae Frenética said...

Tu vais ao super todos os dias?? Ou és daquelas (como eu!) q se esquece sempre de alguma coisa, mesmo estando escrita na lista!!

junho 21, 2007 2:42 p.m.  
Blogger Zuza said...

Fren, eu sou das que não faz lista LOL

junho 21, 2007 2:45 p.m.  
Blogger Flores said...

Vinha dissertar sb os emigrantes e leio a primeira frase da Cristina: vivi uns anos na Madeira e pensei «Meu Deus por causa do Prison Break e do House e das outras séries todas incluindo o Grey ando a perder mta notícia. Atão a Madeira já ñ é nossa e ninguém me avisou?» :)

Tb tenho uma avó q ñ sabe ler, mas sabe os números de telefone da famelga toda (q ñ é pequena) q estão guardadinhos numa listinha sagrada. (q só ela sabe ler, claro)

junho 21, 2007 4:48 p.m.  
Blogger Zuza said...

não me faças rir tanto que me doi TUDO!!!

bota faladura: a Miranda é o House de saias?

pois era! o meu avô tb tinha uma diz que é uma espécie de agenda que SÓ ele sabia ler! o mais engraçado era que várias pessoas que privavam com ele não sabiam que ele não sabia ler... outros tempos, claro!

junho 21, 2007 4:51 p.m.  
Blogger chiqui said...

Esse episodio com os velhotes ja me aconteceu mais que uma vez e nao consegui deixar de sentir um no no estomago quando li o que escreveste...

Bem mas eu venho e mandar umas bocas sobre os emigrantes.

Primeiro, a conducao. Tirei a carta em Portugal, mas nunca conduzi tanto como conduzo aqui. E tenho que dizer que o Verao passado (nas minhas ferias de emigra, pois entao) me deram 3 ataques cardiacos diarios enquanto conduzia.

Quanto ao portugues estive ontem a falar sobre isso com a minha mae. Faz-me muita impressao, aqui n'America, que filhos de portugueses nao saibam sequer falar portugues. Eu vou concerteza falar portugues com eles, sempre. Alias vem-me um sorrsiso aos labios de pensar que vai quase ser o nosso codigo secreto familiar, ninguem nos vai entender :))

junho 21, 2007 5:04 p.m.  
Blogger Flores said...

claro q ñ é, falta-lhe o tom assertivo. aliás, acho q é a personagem mais insípida da série. agora vem aí a sousa bater-me, mas ainda ñ percebi o porquê do nome anatomia de Grey. com tt personagem forte na série, a Miranda (Grey) é a mais insonsa.

junho 21, 2007 5:06 p.m.  
Blogger Zuza said...

Chiqui, chiqui,
tu és uma emigra nas américas :DD Muitooooooo diferente :D

mas, quer dizer, "na" (LOL) França não há rotundas??? Na Alemanha não se usam piscas???

Flores,
ui... forte e giros? ;DD

junho 21, 2007 5:11 p.m.  
Blogger . said...

Ela é Miranda? Ela não é Miranda! Mas não me lembro do nome, caraças.Por acaso é enjoativa como o raio essa Grey. A minha avó tb não sabe ler, mas conta cada história, cuidado com ela. Eu é que fico horas a ouvi-la. E ninguém a engana nas compras. É linda a minha avó, ora pronto. Quanto a emigrantes, podes fazer piadas à vontade. Tb gozamos connosco, porque não com todos os outros? :)

junho 21, 2007 5:16 p.m.  
Blogger Flores said...

como saberás tb ando embeiçada com o Wentworth Earl Miller III (Michael Scofield prós amigos) logo tudo o mais me parece insípido, como a Miranda. LOL. Ai a sousa!!!!

junho 21, 2007 5:17 p.m.  
Blogger S.A. said...

Minha cara Flores:

A grey é a meredith essa sim é insonsa!!

A miranda é a negra pá!!

(tu és da familia da zuza?)

junho 21, 2007 5:19 p.m.  
Blogger S.A. said...

ai o scofield...

junho 21, 2007 5:20 p.m.  
Blogger Zuza said...

ahahahahaha dahhhhh oh das letras!! tb achei que, caramba, de insípida a mulher não tinha nada! pode não ser o house, agora pãozinho sem sal tb não :DDD

DESCULPEM! quem suspira pelo scofield sou eu!!!! que não tenho cabo logo não tenho muitas mais escolhas! na 2, á 5ª e à 6ª tb alegro a "bistinha" :DDD

junho 21, 2007 5:23 p.m.  
Blogger S.A. said...

Ehehehe, seguiu mail "ilustrativo"...

;p

junho 21, 2007 5:27 p.m.  
Blogger Flores said...

portanto, mais valia estar caladinha. LOL

junho 21, 2007 5:37 p.m.  
Blogger . said...

Tb quero ver esse tal de n sei das quantas Scofield

junho 22, 2007 9:41 a.m.  
Blogger Mae Frenética said...

Oh Luz tu nao sabes quem o Scofield??????
Vai a Patricia, q ela pos a foto dele. É a primeira daquele post de gajos!

junho 22, 2007 10:20 a.m.  
Blogger . said...

O primeiro? Não é o Macsteamy é? è que o MacSteamy já tem dona. Sou eu.

junho 22, 2007 1:12 p.m.  

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