Interru (O) PÇÕES
(na pausa e da voluntária da gravidez - que nem só de festas vive um blogue :P)
Aviso já: isto não é uma declaração de voto (que não tenho pretensão a influenciar ninguém). Nem tão pouco um fórum (ainda que às vezes tenha saudades deles). Muito menos uma discussão em aberto (que estou cansada de as ter). É, se tiver que ser alguma coisa, um desabafo. O colocar por escrito uma data de sentimentos (que também é disso que se trata) que me revolve as entranhas.
Lamento muito mas não tenho um discurso moderado e politicamente correcto. Não sou diplomata e muito menos boa para conquistar votos. Estou numa linha mais à frente do que tenho visto por aqui defender-se. Mas garanto já que não entro em conflitos ou insultos aos que defendem outra opinião. Muito embora os argumentos usados muitas vezes me tirem do sério. Posso até dizer que a larga maioria das pessoas que nos rodeiam de perto, que nos querem bem e de quem gostamos muito votam de maneira contrária a nós. Temos pena. Só isso.
Podia ir simplesmente por exclusão de partes que já seria o suficiente: que a situação (do aborto clandestino) tal como está, como pessoa, mulher e sobretudo como manhe, incomoda-me profundamente e que a ganhar o Não ficará e-x-a-c-t-a-m-e-n-t-e na mesma. E isso, eu não posso sequer equacionar. Ninguém devia poder.
Podia ir pela questão literal: há um referendo, há uma pergunta e há o descaramento de uma multidão de gente que não vai responder á pergunta mas sim ao que gostaria de ver perguntado. Não??? Mas Não a quê???? Então, mas não quer ver nenhuma mulher julgada e vota nesse sentido??? Não ao aborto??? Acho muito bem que se bata no peito e se grite a alto e bom som que nunca faria um aborto, em circunstância alguma. Mas alguém lhe vai perguntar no dia 11 se é contra ou a favor do aborto??? Se faz ou deixa de fazer???...
Grave! Muito grave! E pergunto-me que sentido fazem os referendos neste país se as pessoas se recusam a responder ao que se lhes pergunta.
Podia ir pelo desmontar de morais alheias: então mas não se pode ser pelo Sim e ainda assim defender a educação sexual, a criação de apoios para mulheres carenciadas, o aconselhamento psicológico, o mostrar de alternativas???
Não vejo NENHUMA incompatibilidade e dizer o contrário é faltar á verdade!
Podia ir pela questão dos prazos. Não haja ilusões: a ganhar o Sim as mulheres são responsabilizadas. São responsabilizadas a estarem atentas ao seu corpo e a saberem que, após engravidarem, têm 10 semanas para tomar uma decisão. Que eu saiba mais ninguém voltou a engravidar do espírito santo e como tal quem anda á chuva molha-se e quem se molha tem que estar atento. Dizer que as mulheres não são capazes de o fazer é passar um atestado de incompetência que ninguém quer assinar. Ou quer?
Mas o essencial é que eu concordo que se faça (de) TUDO para que a mulher não tenha que fazer um aborto. MAS no caso de ela o decidir fazer eu defendo que o faça nas melhores condições possíveis. Que se acabem com as desigualdades. Porque para mim a questão é tão só esta: se há um ser (embrião/feto/bebé – you name it que eu dou de barato que a vida começa desde a concepção, e que por isso mesmo, já agora, há outras formas de aborto a serem já praticadas e essas são aceites) que foi concebido naquela mulher e que só sobrevive dentro daquela mulher então a decisão final tem que ser dela!!!! Ponto!!!! Ninguém vive a vida por ela logo ninguém pode decidir por ela porque ninguém sabe o que ela pode ou não pode fazer. Devia efectivamente ter prevenido. Mas as pessoas são falíveis! Os métodos são falíveis! Querer que uma criança nasça SÓ por causa disso parece-me impensável!
Gostava muito de ver todas estas energias e sinergia (de ambos os lados) criadas com o referendo serem gastas igualmente na defesa das vidas que já nasceram. Gostava mesmo. Sem demagogias ou ironias.
E para concluir, e como prova de que esta é uma questão maior, é que eu e o Zuzo desta casa que temos opções religiosas absolutamente distintas, que não temos qualquer afinidade em termos politico-partidários vamos, pela primeira vez em 8 anos juntos, votar em sintonia. Porque para nós é uma questão de consciência. De cada um. Não interessa o que eu e ele pensamos do assunto nas nossas próprias vidas. Interessa que nenhum de nós se sente com o direito de obrigar uma mulher a ser mãe se esse não for o seu desejo!
Aviso já: isto não é uma declaração de voto (que não tenho pretensão a influenciar ninguém). Nem tão pouco um fórum (ainda que às vezes tenha saudades deles). Muito menos uma discussão em aberto (que estou cansada de as ter). É, se tiver que ser alguma coisa, um desabafo. O colocar por escrito uma data de sentimentos (que também é disso que se trata) que me revolve as entranhas.
Lamento muito mas não tenho um discurso moderado e politicamente correcto. Não sou diplomata e muito menos boa para conquistar votos. Estou numa linha mais à frente do que tenho visto por aqui defender-se. Mas garanto já que não entro em conflitos ou insultos aos que defendem outra opinião. Muito embora os argumentos usados muitas vezes me tirem do sério. Posso até dizer que a larga maioria das pessoas que nos rodeiam de perto, que nos querem bem e de quem gostamos muito votam de maneira contrária a nós. Temos pena. Só isso.
Podia ir simplesmente por exclusão de partes que já seria o suficiente: que a situação (do aborto clandestino) tal como está, como pessoa, mulher e sobretudo como manhe, incomoda-me profundamente e que a ganhar o Não ficará e-x-a-c-t-a-m-e-n-t-e na mesma. E isso, eu não posso sequer equacionar. Ninguém devia poder.
Podia ir pela questão literal: há um referendo, há uma pergunta e há o descaramento de uma multidão de gente que não vai responder á pergunta mas sim ao que gostaria de ver perguntado. Não??? Mas Não a quê???? Então, mas não quer ver nenhuma mulher julgada e vota nesse sentido??? Não ao aborto??? Acho muito bem que se bata no peito e se grite a alto e bom som que nunca faria um aborto, em circunstância alguma. Mas alguém lhe vai perguntar no dia 11 se é contra ou a favor do aborto??? Se faz ou deixa de fazer???...
Grave! Muito grave! E pergunto-me que sentido fazem os referendos neste país se as pessoas se recusam a responder ao que se lhes pergunta.
Podia ir pelo desmontar de morais alheias: então mas não se pode ser pelo Sim e ainda assim defender a educação sexual, a criação de apoios para mulheres carenciadas, o aconselhamento psicológico, o mostrar de alternativas???
Não vejo NENHUMA incompatibilidade e dizer o contrário é faltar á verdade!
Podia ir pela questão dos prazos. Não haja ilusões: a ganhar o Sim as mulheres são responsabilizadas. São responsabilizadas a estarem atentas ao seu corpo e a saberem que, após engravidarem, têm 10 semanas para tomar uma decisão. Que eu saiba mais ninguém voltou a engravidar do espírito santo e como tal quem anda á chuva molha-se e quem se molha tem que estar atento. Dizer que as mulheres não são capazes de o fazer é passar um atestado de incompetência que ninguém quer assinar. Ou quer?
Mas o essencial é que eu concordo que se faça (de) TUDO para que a mulher não tenha que fazer um aborto. MAS no caso de ela o decidir fazer eu defendo que o faça nas melhores condições possíveis. Que se acabem com as desigualdades. Porque para mim a questão é tão só esta: se há um ser (embrião/feto/bebé – you name it que eu dou de barato que a vida começa desde a concepção, e que por isso mesmo, já agora, há outras formas de aborto a serem já praticadas e essas são aceites) que foi concebido naquela mulher e que só sobrevive dentro daquela mulher então a decisão final tem que ser dela!!!! Ponto!!!! Ninguém vive a vida por ela logo ninguém pode decidir por ela porque ninguém sabe o que ela pode ou não pode fazer. Devia efectivamente ter prevenido. Mas as pessoas são falíveis! Os métodos são falíveis! Querer que uma criança nasça SÓ por causa disso parece-me impensável!
Gostava muito de ver todas estas energias e sinergia (de ambos os lados) criadas com o referendo serem gastas igualmente na defesa das vidas que já nasceram. Gostava mesmo. Sem demagogias ou ironias.
E para concluir, e como prova de que esta é uma questão maior, é que eu e o Zuzo desta casa que temos opções religiosas absolutamente distintas, que não temos qualquer afinidade em termos politico-partidários vamos, pela primeira vez em 8 anos juntos, votar em sintonia. Porque para nós é uma questão de consciência. De cada um. Não interessa o que eu e ele pensamos do assunto nas nossas próprias vidas. Interessa que nenhum de nós se sente com o direito de obrigar uma mulher a ser mãe se esse não for o seu desejo!

24 Comments:
Primas!!!
Eu ando caladinha, mas tu conseguiste escrever tudo o q eu penso...
beijos e obrigadinha!
E quem fala assim não é gago!
E eu não voto que não tenho voto na matéria que sou imigrante mas concordo com o que escreves!
Bjs grandes
Ena.....Voltaste!
Tens aguentado as dores nas costas?
LOLL
Eu, que também me tenho mantido silenciosa sobre este assunto, venho agora assinar por baixo do teu texto.
Beijos
o mínimo que podias fazer era avisar quando fazes pausas na pausa
Pois... (que é que se diz quando não temos nada a acrescentar).
No final sabes o q espero sinceramente? Q ñ se perca mais uma oportunidade. E q dia 11 não ganhe o pior de todos os cenários: a abstenção.
De resto e parafraseando a cool: pois...
como elas, "pois..."
Disseste tudo (nem esperava menos de ti), o Sim é o único que muda alguma coisa e que dá escolhas às pessoas. Escolhas informadas e apoiadas, é o que eu espero.
(Permiti-me comentar, espero que não te importes.)
Um beijo!
pois!
Nem mais...
Beijinhos
PS: Porque é que o bloglines não me avisa das tuas actualizações?
!
E pronto, está dito. Nada como ter convicções profundas.
Inteiramente de acordo. Um Sim muito condicionado...
Beijinhos
Cristina
:-))
Uma beijoca gandeeeee e apressada para ir ver o meu Afonso lollll
Para mim colocaste em causa a questão fundamental... As pessoas não estão a ponderar responder à pergunta. A verdadeira pergunta, aquela que está em causa não é se concorda com o aborto ou se abortava, é se concorda com a despenalização.
Enfim... Vamos ver se a vitória não é )mais uma vez) da abstenção.
Bem vinda de volta :)
Estava ansiosamente à espera deste post. A sério.
:)
Mai nada!!
Assino por baixo!
Quem assim fala não é gago :)
"Ninguém vive a vida por ela logo ninguém pode decidir por ela porque ninguém sabe o que ela pode ou não pode fazer. Devia efectivamente ter prevenido. Mas as pessoas são falíveis! Os métodos são falíveis! Querer que uma criança nasça SÓ por causa disso parece-me impensável!
(..)Gostava muito de ver todas estas energias e sinergia (de ambos os lados) criadas com o referendo serem gastas igualmente na defesa das vidas que já nasceram. Gostava mesmo. Sem demagogias ou ironias. (...) Não interessa o que eu e ele pensamos do assunto nas nossas próprias vidas. Interessa que nenhum de nós se sente com o direito de obrigar uma mulher a ser mãe se esse não for o seu desejo!"
E com isto disseste simplesmente tudo!
perfeito!
beijos
posso linkar na minha campanha pessoal?
Agora sim... a minha opinião sobre o tema lá na minha chafarica. Tb gostava mto q se perdesse menos tempo e dinheiro com esta discussão e se fizesse mais por quem precisa.
bj*
Ouve la, eu de ti nao esperava outra coisa! E leva tambem as filhas a votar, ja agora :-)
beijo
Enviar um comentário
<< Home