TE (A) TRO
«Todos somos escritores. A diferença é que uns escrevem no papel e os outros não.»
Mais ou menos assim, dito pelo actor António Fagundes enquanto personagem George no inicio de “As mulheres da minha Vida”.
E porque me fez sorrir e me explicou esta coisa interna que nos impele para aqui, eu acrescentaria que há ainda quem (só) escreva num teclado.
Fabuloso como as melhores explicações são tantas vezes as involuntárias: ele só debitava texto, eu senti-me respondida – o bilhete (o meu) ficou ganho logo ali.
Eu não sou fã do Fagundes. Acho que de brasileiros só sou fã do José Mayer (:P) e nem é necessariamente como actor ;)).
Acho-o, ao Fagundes, sempre igual a ele próprio e isso não me parece uma coisa boa para se achar de um actor. Hoje achei-o benzinho. Mas muito longe, por exemplo – numa de comparação (se calhar injusta) de grandes figuras das novelas, da Regina Duarte no monologo “Coração Bazar”.
Eu gostei da peça. Eu não gostei do texto.
Por partes e a começar pelo negativo que (me) é sempre tão mais fácil de explicar. Deve ser por isso que de cada vez que conheço alguém, e gosto a valer, posso muito bem começar por criticar antes mesmo de elogiar. O que não invalida que depois o ritmo se inverta. (maus) Feitios.
Eu gosto de me rir. A valer. Sonoramente. Indeterminadamente, que volta e meia não consigo até parar (coisa muitas vezes embaraçosa e que me obrigou várias vezes a recorrer ao truque de pensar em coisas tristes para conseguir controlar o riso. Shame on me!). Gosto de gargalhar, mas gosto que me arranquem, não necessariamente a ferros, as gargalhadas. Não gosto de piadas fáceis e muito menos que me digam quando me devo rir. Ora a peça era suposto ter piada. Ora eu não achei piada nenhuma. Sim, eu sei que tenho um humor especial, mas a ultima vez que me tinha sentado naquela sala foi para ver “Confissões de Mulheres de 30” e juro que me fartei de rir. Curiosamente escrita por um brasileirO (Domingos Oliveira). A identificação género/etária não explica tudo :P.
E eu até suportaria bem a falta de humor se recompensada em drama. O texto terá dois ou três momentos daqueles em que, mentalmente, ficamos boquiabertos e logo de seguida soltamos, ainda mentalmente, um “uau. Bem visto. Nunca tinha olhado por essa perspectiva mas faz todo o sentido”. E sorrimos porque acabamos de apre(e)nder uma coisa nova. E sempre, sexismos à parte que não há da nossa parte pachorra, ditas pela personagem masculina. O texto foi escrito por um homem (Neil Simon) o que ainda assim não justifica os textos deslavados das personagens femininas. Abaixo de medianos, digo eu! Salvou-se, no meio de tanta banalidade, o papel de Karen (Chris Couto), irmã de George, com um desempenho fantástico e responsável pelas minhas únicas gargalhadas da noite.
Bem, do que eu gostei mesmo foi da interpretação que trouxe para casa. E que certamente será diferente para cada pessoa daquela sala. Para mim valeu a licção (?) sobre a quantidade desmesurada de tempo que passamos a imaginar a vida em vez de a vivermos. Do quanto nos pré-ocupamos, fantasiamos, equacionamos em vez de simplesmente vivermos. Do quanto envolvemos terceiros nestas nossas fantasias. Do quanto lhes colocamos palavras na boca e pensamentos na alma em vez de simplesmente perguntarmos. Do quanto, muita vezes, acordamos para a vida tarde demais.
Não foi o caso.
(O personagem da peça (escritor) era acusado de acabar os textos apressadamente, com finais pouco conseguidos. Eu, por acaso, acusaria o autor do texto da mesma coisa).
Ironia das ironias: eu fiz a reserva para uma sessão a que o Zuzo, por motivo previsto, não podia assistir, e mesmo assim foram os últimos bilhetes a ser vendidos. Por vontade dele eu dei-me a um trabalho maluco para arranjar outros bilhetes. Entretanto convidei também o meu pai. Por motivo absolutamente imprevisto ele, Zuzo, não assistiu na mesma. Acreditasse eu em premonições para a vidinha e teria poupado 15 euros mais custo de deslocações extraordinárias. Sim, vantagens da ruralidade que os bilhetes eram bem mais caros no resto de país. Ao menos isso que qualquer dia o “inginheiro” decide que o interior está aí, literalmente, para as curvas, e até portagens terei de pagar para ir ao teatro, a menos, claro, que vá por estradas secundárias esburacadas e gaste esse valor em manutenção do veiculo!
A vida é feita de opções terá dito a psiquiatra de George na peça!
Mais ou menos assim, dito pelo actor António Fagundes enquanto personagem George no inicio de “As mulheres da minha Vida”.
E porque me fez sorrir e me explicou esta coisa interna que nos impele para aqui, eu acrescentaria que há ainda quem (só) escreva num teclado.
Fabuloso como as melhores explicações são tantas vezes as involuntárias: ele só debitava texto, eu senti-me respondida – o bilhete (o meu) ficou ganho logo ali.
Eu não sou fã do Fagundes. Acho que de brasileiros só sou fã do José Mayer (:P) e nem é necessariamente como actor ;)).
Acho-o, ao Fagundes, sempre igual a ele próprio e isso não me parece uma coisa boa para se achar de um actor. Hoje achei-o benzinho. Mas muito longe, por exemplo – numa de comparação (se calhar injusta) de grandes figuras das novelas, da Regina Duarte no monologo “Coração Bazar”.
Eu gostei da peça. Eu não gostei do texto.
Por partes e a começar pelo negativo que (me) é sempre tão mais fácil de explicar. Deve ser por isso que de cada vez que conheço alguém, e gosto a valer, posso muito bem começar por criticar antes mesmo de elogiar. O que não invalida que depois o ritmo se inverta. (maus) Feitios.
Eu gosto de me rir. A valer. Sonoramente. Indeterminadamente, que volta e meia não consigo até parar (coisa muitas vezes embaraçosa e que me obrigou várias vezes a recorrer ao truque de pensar em coisas tristes para conseguir controlar o riso. Shame on me!). Gosto de gargalhar, mas gosto que me arranquem, não necessariamente a ferros, as gargalhadas. Não gosto de piadas fáceis e muito menos que me digam quando me devo rir. Ora a peça era suposto ter piada. Ora eu não achei piada nenhuma. Sim, eu sei que tenho um humor especial, mas a ultima vez que me tinha sentado naquela sala foi para ver “Confissões de Mulheres de 30” e juro que me fartei de rir. Curiosamente escrita por um brasileirO (Domingos Oliveira). A identificação género/etária não explica tudo :P.
E eu até suportaria bem a falta de humor se recompensada em drama. O texto terá dois ou três momentos daqueles em que, mentalmente, ficamos boquiabertos e logo de seguida soltamos, ainda mentalmente, um “uau. Bem visto. Nunca tinha olhado por essa perspectiva mas faz todo o sentido”. E sorrimos porque acabamos de apre(e)nder uma coisa nova. E sempre, sexismos à parte que não há da nossa parte pachorra, ditas pela personagem masculina. O texto foi escrito por um homem (Neil Simon) o que ainda assim não justifica os textos deslavados das personagens femininas. Abaixo de medianos, digo eu! Salvou-se, no meio de tanta banalidade, o papel de Karen (Chris Couto), irmã de George, com um desempenho fantástico e responsável pelas minhas únicas gargalhadas da noite.
Bem, do que eu gostei mesmo foi da interpretação que trouxe para casa. E que certamente será diferente para cada pessoa daquela sala. Para mim valeu a licção (?) sobre a quantidade desmesurada de tempo que passamos a imaginar a vida em vez de a vivermos. Do quanto nos pré-ocupamos, fantasiamos, equacionamos em vez de simplesmente vivermos. Do quanto envolvemos terceiros nestas nossas fantasias. Do quanto lhes colocamos palavras na boca e pensamentos na alma em vez de simplesmente perguntarmos. Do quanto, muita vezes, acordamos para a vida tarde demais.
Não foi o caso.
(O personagem da peça (escritor) era acusado de acabar os textos apressadamente, com finais pouco conseguidos. Eu, por acaso, acusaria o autor do texto da mesma coisa).
Ironia das ironias: eu fiz a reserva para uma sessão a que o Zuzo, por motivo previsto, não podia assistir, e mesmo assim foram os últimos bilhetes a ser vendidos. Por vontade dele eu dei-me a um trabalho maluco para arranjar outros bilhetes. Entretanto convidei também o meu pai. Por motivo absolutamente imprevisto ele, Zuzo, não assistiu na mesma. Acreditasse eu em premonições para a vidinha e teria poupado 15 euros mais custo de deslocações extraordinárias. Sim, vantagens da ruralidade que os bilhetes eram bem mais caros no resto de país. Ao menos isso que qualquer dia o “inginheiro” decide que o interior está aí, literalmente, para as curvas, e até portagens terei de pagar para ir ao teatro, a menos, claro, que vá por estradas secundárias esburacadas e gaste esse valor em manutenção do veiculo!
A vida é feita de opções terá dito a psiquiatra de George na peça!

3 Comments:
Fiquei com vontade de ver! :)
Atiras assim com uma coisa à cara da gente, a posteriori, eram drafts que tinahs p'rái?
Mangais connosco?!
;)
Scaf,
podias ter ido comigo... mas tu só fazes programas com sulistas elitistas :PP
Cool,
mangais é LINDO mas eram drafts mesmo :DD
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