ESCOLAR matern IDADES
Ela é que anda na escola e eu é que por estes dias tenho aprendido tanto com ela. Verdadeiros murros no estômago que coração de manhe é enorme, já se sabe, mas às vezes não chega para tanta amálgama de sentimentos e vai de apanhar o corpo todo.
Diz com o ar mais sereno e conformado do mundo que não gosta da escola. Percebe em segundos o efeito que isso provocou em mim (havia necessidade de eu ser tão transparente: NÃO!!!) e apressa-se a dizer que não faz mal, que amanhã vai ser melhor, que vou gostar mais manhe, vais ver.
Ela é que não gosta da escola e ela é que me consola a mim?
Vacilo entre sacar do cilício e abraçá-la. Chegando de cometer erros opto pela segunda. E desejo só largá-la aí com uns 20 anos feitos e um príncipe encantado à espera. Eu tenho um príncipe que me alivia a vida, ainda que me faça engolir alguns sapos, mas que nisto da filha vs escola não tem valido de muito. Serão as dores de crescimento que desconheço ou as dores de parto que não tive?
Sabia que lhe ia custar muito. Nunca quis pensar que tanto. São imensas horas sentada, sem poder falar ou mexer ou rir. São demasiadas professoras a exigir o mesmo. É chegar a casa e não poder brincar logo com a irmã porque tem de se sentar outra vez para fazer os deveres.
São os relatos da irmã que pinta com os pés, rebola nas almofadas e embala bebés. São umas saudades imensas do ano em que brincou tudo o que nunca tinha brincado no jardim infantil anterior e de uma educadora que percebeu cedo que volta lhe dar para contrariar tanto desassossego e potenciar tanto entusiasmo.
A professora-mor (com as outras nem quero ainda falar) ri-se e diz que não faz mal, que só passou um mês, que se está a adaptar. O que a professora não percebe é que o que me preocupa e me mata todos os dias um bocadinho por dentro é a tristeza serena e conformada dela. Se birrasse, se inventasse desculpas para faltar, se chorasse e esperneasse, se mentisse sobre o que (não) faz ou (não) sente, aí eu até podia tentar fazer alguma coisa…
Assim limito-me a assistir à brutal coragem dela todos os dias ao acordar. Na confiança com que apesar de tudo todos os dias entra na escola. Ao olhar tranquilizador que me faz na despedida do tipo “podes ir embora que isto hoje vai correr melhor”… mesmo que efectivamente depois não corra.
Etiquetas: Eu sei. Eu sei. Estava habituada a que tudo com elas fosse agora tão fácil.

13 Comments:
Pois... isso sim deve custar, de longe, muito mais...
Olha, que venham as bolinhas vermelhas do meu q isso, pelo menos, é "normal"...
Chuac!!
(afinal já tinhas escrito!!)
'tristeza serena e conformada'
bolas, pá isso é quase um tractor a passar por cima
Zuuuuuuuuuuuuuza!
Vai lá dar uma opinião SFF!
O meu mais velho é assim. Como eu sou.
A poupar os outros.
Vê se contrarias isso. E qdo conseguires, ensina-me, sim?
(outro dia dizia ao meu: oh meu amor, tu sabes q podes fazer asneiras, nao sabes?)
Acreditas que fiquei com vontade de chorar... De certeza que se vai adaptar. A minha tem sempre um período de adaptação mínimo...
Até pensei para o ano a Leonor entrar um ano mais cedo para a primária pq faz anos a 1 de Janeiro mas acho que não está preparada para tanta responsabilidade, para tantas horas sentada. Isso e outras questões práticas...
sabes uma coisa, é uma merda estar se sensivel, porque me revejo (no trabalho) no sentimento que a tua filha tem (na escola)
porque até as lagrimas vieram aos olhos, porque me aperta o coração, porque sou mãe e sou filha, e porque o sinto enquanto mãe e tanto o senti enquanto filha
porque não te consigo ajudar... de forma alguma querida, não consigo...
Oh pá!
Isso não se faz... (são assim tantas professoras a exigir o mesmo? olha que as AEC supostamente devem ser actividades lúdicas!)
Mas a coragem dela é absolutamente fantástica. Se ela diz que vai ser melhor, é porque vai mesmo! :)
Com a M. nunca foi nada fácil, como sabes, mas esta fase até está a correr bastante bem. Ajuda eu estar bastante disponível, claro...
Beijo. Grande, grande!
(ela é uma linda!)
Ana,
chuack! Isto vai passar. Eu sei q vai. Custa e tal, mas vai passar. Aliás eu quis mm registar foi a forma fantástica como esta miúda me tem ensinado a passar por esta fase;))
Sophie,
As AEC parecem-me tudo menos lúdicas: são dadas em contexto de sala de aula com as mm regras q as aulas "normais" ou ainda mais apertadas: a prof de exp. plásticas usa as famosas bolas de comportamento que depois manda para os pais assinarem. se isso não é pressão...
fica dentro da sala das 9h00 às 17h30 menos nos dias de ginástica e natação. e q são os verdadeiros escapes delas. sabes, acho q ela sente mm é falta de estar na escola nem q fosse uma hora sem fazer rigorosamente nada...
Imagino a tua angústia...beijinhos!
bom, a pressão da minha é só com a professora-mor. (tem horário só da manha e fará umas equivalentes às aec no atl...) e estou a partir de hoje com um aperto no coração porque o que resolveu contar-nos este fds e ontem não nos agradou (pela prof., pelo ambiente geral de "medo" na sala...).
olha que não sei se é muito mais fácil ouvir que não quer ir, que quer mudar, que nao gosta, etc em modos birrices.
orgulha-te da tua miúda! (o mal aí será precisamente esse horário tão pesado, não?....)
sim pal, o problema é mm o nº de horas e ontem tive a confirmação disso por ela e hoje de manhã pela prof.
a capacidade de concentração dela é mínima e vamos ter de trabalhar isso de maneira a q não prejudique a aprendizagem e lhe facilite a vida, q mudar a escola já se sabe q não podemos ;))
ontem foi o dia da festa do leite (?) com umas actividades giras de maneira q a parte "lectiva" foi só metade do habitual: correu lindamente! Fez tudo muito rápido e ainda pediu para adiantar o tpc pq à noite ia à natação. Vinha radiante da escola, nem parecia a mm.
a prof. parece compreensiva/exigente q. b. A última coisa q quero é q lhe cole um rótulo de "cabeça no ar" e desista dela... ou que lhe faça a vida negra só pelo comportamento.
A minha mais velha... tal e qual.
:S
Bjs gandes
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