matern IDADES
Bem sei que não há uma idade boa (ou certa) para se perder um pai ou uma mãe. Que os laços são vitalícios e que assim que se quebram há dor, há tristeza, há perda. Calculo que quanto mais cedo a morte aconteça se associem ainda sentimentos de revolta, de angustia, de dúvida.
(Digo eu que ainda os tenho aos dois, mas que no outro dia chorei que nem uma criança perdida nos (a)braços do meu pai que tinha acabado de ter um AVC. Claro que é logo a seguir ele reparou o erro e tratou de se pôr bom rapidamente. That’s my man!! :D)
Mas confesso que ver o meu tio de 60 e muitos anos, homem de bigode rijo, ex-comando, destroçado pela iminente morte da mãe de 94 anos me sobressaltou.
E por muito básica que eu esteja a ser, e estou, não consegui deixar de associar tamanha demonstração de tristeza ao facto de ele não ter filhos nem irmãos. Como se o único elo biológico dele estivesse prestes a desaparecer. Como se deixasse de ser corrente.

13 Comments:
Os filhos curam tudo, tudinho... São a única coisa que é realmente nossa, uma parte de nós, por isso quando nos cai um bocadito qualquer, lá estão eles a peça que encaixa na perfeição e não deixa que se veja nenhum buraco.
Bjkas para ti e para as cachopas
ps: perdi o meu pai aos 9 anos, o que me doeu mais foi assitir à tristeza profunda da minha mãe, tenho a certeza que se não nos tivesse a nós ( a mim e à minha irmã), teria ido atrás dele.
Parece que não há a idade certa... Sofre-se sempre...
Cristina
Sofre-se sempre, sim. Já perdi muitos amigos jovens, muito mais que a média normal, se é que há uma média, mas mesmo as pessoas que vão na hora "certa", custa-me na mesma. Aceito é com mais resignação.
sofre-se sempre! quebra-se sempre! vi isso no pai e na minha mãe quando perderam os seus pais, sobrinhos...E eu então...sofro mm sempre!
É incrível, Zuza como tu tentas disfarçar tudo com ligeireza, para mim, tão falsificada...
Oh mulher, então o teu pai teve um AVC? Tás bem???
Q isso dos filhos curarem tudo é só momentaneamente, na rotina instalada, no tempo q não sobra. Pq se sobrasse algum, nao havia filho q nos salvasse da dor camuflada...
Fren,
estou bem sim! Já fez uns 5 meses. Ele recuperou 100%. Foi um susto do caraças, q aos 76 as coisas podem ter outro impacto.
Há assuntos sobres os quais eu só escrevo depois de "resolvidos". Daí a ligeireza!
(eu não disse curar, disse anestesiar ;))
Bj
A Fren centrou-se no principal. E eu, ando burrinha de todo, nem associei. Sorry muitas vezes. É a tal regra de três simples, tem mais peso o fim do post, seja ele mais ou menos importante. É ao contrário do jornalismo, onde a pirâmide tem toda a lógica.
Nada a desculpar. Era mm um () "perdido" no meio texto ;))
Era um exorcismo, esse (), não era?
Pregam-nos sustos, os pais, os seus anos acumulando e as suas mazelas.
Ainda bem que está tudo bem, agora.
Se custa sempre, que custe bem tarde. E, sabes, acho que os filhos não adiantam muito. Perante essa dor, não há analgésico que valha.
Era Mar, era isso mesmo!! ;)))
Já sei que tens um marido beijoqueiro e que te amparou nesse susto mas olha que nós também podemos dar-te muitos mimos e xi-corações virtuais,e tudo, e tudo.
Beijos
:DDDDDDD
um marido e duas filhas q não me podem ver triste q me enchem de beijos! ;))
Obrigada Ana, valeu!
Caramba Zuza, uma beijoca repenicada.
O que me custa vê-los (aos meus pais) envelhecer, perder capacidades, roubar-lhes o orgulho. Mesmo sendo a lei natural da vida, deve ser insuportável perdê-los :(
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