escolar IDADES
Gostava de escrever um texto (im)pertinente sobre toda esta (de)gladiação (chamemos-lhe assim) que envolve professores e ministério da educação. Não é só uma questão de actualidade, no próximo ano será uma questão de proximidade: que acredi(op)tamos na escola pública, pois claro.
Mas não consigo. Estou em modo de estupefacção. Por desconhecer em concreto a avaliação de todas as discórdias, mas ainda assim dando o beneficio da dúvida a 120 mil (??) profissionais. Por não ter dúvidas que a avaliação tem de existir e que suspender não é o verbo a conjugar.
Será assim tão difícil criar um modelo de avaliação a modos que pacífico?? Será, certamente. Agora impossível é que não deve ser…

26 Comments:
Eu estava como tu até ver o tal modelo da contestação, "importado" do Chile (vá-se lá perceber porquê). Passei um dia metida numa escola e entendi a coisa: os professores querem avaliação, mas não esta. A ministra, recuando, poderá causar graves consequências politicas ao governo... e é este o impasse!
Incrivel que eu não tenho nada a dizer sobre isto! beijos
E asks muito bem.
Eu p'ra mim tenho que algures no meio est(ará)á a virtude.
Brincadeiras àparte, parece-me que os profs são liderados por pessoas com outra hidden agenda e que, se calhar, deveria haver estruturas que os representassem sem ser os sindicatos.
Querida Cool, assumir que todos estes professores andam a ser manietados por agendas sindicalistas/políticas é um pouco passar-lhes um atestado de ignorância, não? Não tem nada a ver, sinceramente. O problema é que todos os sindicatos andam descredibilizados, mas isso são outras contas. O actual modelo de avaliação é um atentado, na minha opinião. E o "autismo" da ministra é insultuoso. As pressões que se estão a fazer sentir para que as escolas que suspenderam as avaliações as retomem, é simplesmente medonho. Nem sei se um meio termo chegará. Neste momento o que acontece é que os professores preenchem mais do que ensinam, ponto final. E a burocracia é o grande cancro desta sociedade, sempre foi. Isto para não falar dos avaliadores, que ganham um poder desmesurado e fragilizam as relações e um ambiente numa escola. Tenho ouvido coisas do arco da velha. Do arco da velha! Felizmente, nem todas as pessoas com algum poder perdem a cabeça. E felizmente há quem tenha a coragem de bater o pé, dentro das escolas, sem medo de dar nomes e caras a esta luta. Suspendem as avaliações sem medo do quie aí vem. É esta a coragem que falta ao nosso País. E é nestas horas que os portugueses têm de se manter solidários e não dizer coisas como já ouvi "Ah, bem feita, estavam mal habituados". Estavam mal habituados? Então porque é que no "nosso" tempo tivemos o melhor sistema de ensino dos últimos anos, mesmo incluídas as coisas más de que padecia o sistema?
Luz, o que me irrita é a arrogância de quem se diz falar por todos os professores, quando tal não é verdade.
Conheço casos dos dois lados da 'barreira' e é-me difícil ter uma posição definida.
Eu,
deve ser em troca de uma palete de magalhães LOL
Pois... Estrelinha, mas para quem está de fora o autismo que passa não é só o da Ministra pá!!! E vamos nessa de dizer q a comunicação social selecciona o q passa, lol??
Eu compreenderia mto melhor a luta dos profs se nas reuniões com a ministra eles levassem na mala modelos alternativos, propostas! Cartazes a exigir a suspensão não me bastam...
Parece que vai ser na 6ª.... pq só agora???
Para mim coragem é isso: está mal? fazer melhor! Deixar como está parece-me pouco corajoso...
Dos avaliadores? Tanto qto sei foram os profs a querer uma avaliação INTERNA... agora é aguentar, não??
A tua última questão é MTO pertinente. Eu saí da escola. E gostava MTO de compreender o que vem a piorar tanto desde então!! Tenho todas as escolas onde andei (privada a primária, públicas as seguintes em MTO boa conta!)
Cool, claro que não são todos. Não há lutas puras, 100% consensuais. Mas a quantidade de pessoas insatisfeitas parece-me suficiente para perceber que não se trata de um finca- pé pueril, mas de uma batalha de respeito por parte de docentes com muitos anos de trabalho. Se há quem fale por todos? Sempre. Um exemplo: Nós, os recibos verdes, também andamos numa luta pegada contra os ditos cujos e acredito que haja sempre alguém que goste de trabalhar neste sistema precário, ou porque lhe dá jeito ou porque acumula trabalhos e não tem de cumprir exclusividade... e por aí fora. Mas é legítimo achar que esta luta específica expressa a vontade de uma maioria. Novamente aos professores, gostava de te perguntar uma coisa? As pessoas do outro lado da barricada são docentes "normais", são coodenadores de departamento ou elementos do Conselho Executivo?
Zuza, o que vem ou porque vem? Vem a piorar pelo desinvestimento, vem a piorar porque os professores não páram de aumentar (centenas de novos professores todos os anos), tendo à disposição um número reduzidíssimo de escolas (centros escolares apinhados de miúdos) e um sistema de selecção perfeitamente macabro, que arrasa vidas e não dá continuidade aos projectos, que são sucessivamente interrompidos para mudar de mãos, de opiniões e de modos de trabalhar.
Sim, completamente de acordo. Aquela velha luta do fim dos números “clausus” não é???...
Aconteceu na maioria dos cursos, no ensino acaba por ter mais visibilidade pq o estado é o maior empregador...
A mim tb me incomoda particularmente a relação alunos/professores… e deve haver tantas causas para ter chegado ao estado que chegou…
Luz, os do lado de lá são professores do 1º ciclo para quem a burocracia é menos pesada pq só têm uma turma a quem já conhecem bem e uns dois casos em início de carreira que apostam na possibilidade de uma progressão que valorize o desempenho, e uma outra a meio da carreira que se vê sistematicamente ultrapassada por politiquices de escola e grupo.
Claro que não há consensos a 100%, e acredito que a maioria da classe está descontente, e com bastantes razões.
Por outro lado, não creio que o sistema se tenha deteriorado tanto assim. Tenho neste momento filhas no 1º e no 2º ciclos, em escolas públicas, e os meios à disposição de alunos e professores são melhores do que no meu tempo.
Já sei que me vão cair em cima por dizer isto, mas é (talvez com sorte) a minha realidade, urbana, da capital.
Desde que eu saí do sistema há muito menos crianças, a concentração de recursos e a criação dos agrupamento para mim, até agora, são experiências com bons resultados.
Há percalços, claro que sim, mas, por exemplo, ainda este ano lectivo as benditas AECs do 1º ciclo só avançaram 1 mês depois de começarem as aulas pois a escola não concordava com o proposto pela Junta de Freguesia. Enquanto a Associação de Pais procurava uma solução melhor, houve um esforço integrado de professores/pais/auxiliares que assegurou o bom funcionamento da escola.
daquilo que sei sobre este modelo de avaliação, parece-me que voltamos ao jurássico, ao tempo dos Reitores.
Acho que eles devem contestar, exigir os seus direitos, mas também acho que deviam oferecer soluções, porque isto de queixar por queixar, acaba sempre por ficar em águas de bacalhau.
Cool,
pois lá está: uma coisa é o que se ouve, o q se lê... e outra é a q se vive!!!
a concentração de recursos do pto de vista dos profs é má pq deixa mtos (demasiados) de fora, mas ruralmente ao nível dos alunos (NO NOSSO CASO) foi o melhor que podia acontecer. Eu nunca deixaria as minhas filhas numa escola com 5 alunos, mas deixo-as fazer um percurso diário de carrinha para q possam ir para uma escola com dezenas de crianças...
E tb acredito q com negociação se podem pegar nas medidas impostas e adaptá-las à realidade de cada escola.
Pois q, estou como tu, falta-me viver a coisa. Do q sei há pontos do sistema de avaliação q ñ fazem sentido; do tipo 2 professores q concorrem ao mm «lugar» e um ser avaliador do outro. A questão é mm q, neste momento, nem um lado nem outro pode recuar.
Onde vai parar?
A ver, a ver...
E as escolas em cidades rurais? eheheheh. A realidade por aqui tem de tudo. Os meninos da cidade que andam nas escolas da cidade e onde as coisas deixaram de ser o que eram, porque as escolas nas freguesias rurais fecharam e veio uma avalanche de meninos para as escolas maiores. Que andam de transportes urbanos sobrelotados e sem qq sistema de segurança e comem em corredores, refeitórios improvisados servidos por empresas de cattering bem manhosas. Depois há os meninos das aldeias mesmo mesmo rurais(agrestes e a muitos quilómetros, por estradas escabrosas), sobretudo no Baixo Minho interior e no Alto Minho (Melgaço, Monção, etc) que passaram a ter de se deslocar umas horas por dia para centros escolares lindos por fora, mas sem recursos suficientes. Que ficam lá todo o dia, mais ou menos ao deusdará, à espera dos prolongamentos. Depois há as escolas da cidade que só aceitam meninos da cidade e aí tudo parece correr mais ou menos bem. Por último, os privados, pagos a peso de ouro, claro. Obviamente nem tudo é mau. Veremos qdo for altura de pôr o Bi na escola já que, por enquanto, só sei dos casos dos outros, que me chegam aqui ao tasco em forma de queixa, quase semanalmente. Já uma vez escrevi isto na Mar. Se é para haver este cruzamento de responsabilidades, câmaras, Juntas, Governo e Pais, então que especifiquem melhor quem faz o quê. É que às vezes os pais querem melhorar as coisas e são impedidos... pelas ditas cujas burocracias.
E não acredito que ninguém tenha já proposto uma solução. Até eu acho que não devem ser os professores a avaliarem outros professores, dentro da mesma escola. Só que qualquer outra solução, custaria muito trabalho e algum dinheiro ao Estado.
Cool, cair em cima porquê? As realidades são diferentes sim senhora. Porque o próprio "território" que a escola serve é diferente. Aí há muito mais oferta, em termos de estabelecimentos escolares, por exemplo. Cada "bairro" tem uma escola. :D É natural que os miúdos estejam melhor distribuídos e haja mais qualidade. Mas disso já não falo, que não sei.
Há mtas realidades, isso é certo. E injusto, principalmente! Que para mim a escola devia ser o guardião mor (uau) da igualdade!!
Sabes do que gostei muito nesta escola?? De ver lá na reunião os presidentes da junta todos orgulhosos! De como há um brio de que nada falte na escola, na SUA escola.
(Oh Luz e custaria mais uma guerra q são os profs a não querer ser avaliados por "externos" ;)))
Flores,
a questão dos profs titulares é teoricamente válida mas na prática deixa mtas reservas. A começar pela concurso q lhes deu o lugar!!
Zuza, lolol. Vistas bem as coisas, soluções que agradem a todos devem ser muitoooooooooooooooooo complicadas. Os "velhinhos" inspectores ainda metem medo, mas são menos e custam muito dinheiro. Podia dizer-que que as visitas periódicas não chegam para uma avaliação... mas repara no ridículo: a minha irmã saiu de uma escola este ano, já está noutra, na capital daquele distrito que tão bem conheces. Como ela, milhares. Quem a conhece o suficiente para a avaliar? Se não cair nas bênçãos alheias... Olha, eu sei quem não queria estar na pele deles. EUZINHA!
É por temer que alguém ache que, por ter esta sorte, tomo a parte como o todo.
E só mais uma acha para a fogueira, a concentração deveu-se ao número de crianças e jovens diminuir de ano para ano.
Qua do eu andava no 1º ciclo, as escolas estavam sobrelotadas e havia a necessidade de fazer turnos desdobrados. Essas crianças foram crescendo e enchendo os liceus e as universidades. Porém, quando eu já estava na faculdade, o 1º ciclo já sofria por falta de alunos, começaram a criar-se os ATLs e as escolas voltaram ao chamado 'regime normal', 1 turno por dia. E os liceus foram ficando vazios, e as universidades também. Foi por isso que acabaram os 'clausus' e que em cada ano há mais vagas por preencher e as universidades privadas estam 'à rasca'. Eu acho este elemento do problema importantíssimo e quase ninguém fala dele.
Claro que o ME precisa de cada vez menos professores. Por isso não são criadas novas vagas. Embora as periferias das cidades estajam com escolas cheias, o balanço é claramente negativo.
Cool, tu como "chicher", gostavas de ser avaliada por quem? A curiosisade é genuína, não é pergunta com rasteira. Eu, por exemplo, na minha área preferia mil vezes ser avaliada por um "externo" da minha área do que por um colega, que, provavelmente, não se conseguiria desligar do facto de me conhecer, de gostar ou não de mim ou de eu não lhe ter lambido as botas suficientes vezes. Infelizmente, quer queiramos quer não, nas escolas, onde há sobretudo mulheres, as relações não são fáceis, são tensas e desequilibradas tantas vezes. Sei disso pela minha mãe, pela rede de professoras no chá das "cinco" e agora pela minha irmã, que já podia encher uma caderneta de peripécias...
Na penúltima escola onde esteve... uma das profs roubava coisas há anos, incluindo jogos dos alunos :S, era mentirosa e caluniava outros sem dó, só para se defender. Toda a gente lhe amparava o jogo, nunca a confrontando. E as tricas em que elas se envolviam por causa disso, desde as auxiliares ao Conselho Executivo. Credo, cruzes, canhoto. Pobre da minha irmã, ingénua, que se viu no meio daquilo e só percebeu tudo no fim...Agora imagina que este ser era um avaliador? MEDO, MEDO, MEDOOOOOOOOOOOOO
E deixa-me cá ressalvar que também neste exemplo, não estou a tomar a parte pelo todo. Há excelentes profissionais, imparciais, dignos e tudo e tudo, mas as coisas inerentes à condição humana COMPLICAM tudo. É muito difícil equilibrar relações e hierarquias.. Muito.
Se calhar puseste o dedo na ferida, Luz. Responderei sinceramente. Como sabes estou ligada ao ensino, mas nem escolar nem público, e uma das coisas que fazemos é avaliação interna e também temos auditorias externas e avaliação por parte dos alunos.
Todas são bem aceites mas a que traz objectivamente mais-valias aos professores é a avaliação pelos colegas de profissão (internos e externos e mesmo estrangeiros). Tem é de ser olhada de forma positiva, como forma de partilhar experiências, soluções, estratégias e nunca como forma de 'perseguição'.
A avaliação pelos alunos é igualmente importante, mas só faz sentido porque são adultos.
Gostei desse três em um (interno, externo e alunos). Muito mais justo, diga-se. Se calhar, dirá a Maria de Lurdes, impraticável pelas tais questões de recursos (humanos e financeiros). E é pena que assim seja.
No ensino superior público é assim a avaliação! Avalia-se em 1º caso a própria instituição!! E depois por lá dentro.
(Cool, não é só no privado q já não há alunos!!)
Mas nas faixas etárias abaixo queres mm ter os alunos a avaliar os profs??? Aí sim não seria fazer reféns?????
Eu por acaso até acho q os alunos sabem MTO bem quem são os bons profs.
Zuza, sabem sim. Eu sabia. Era rebelde, mas alguns professores cativavam-me muito. Mas não sei como são os miúdos de hoje. A ideia é mesmo que do conjunto dessas três coisas, sai algo mais próximo do real do que só por uma das vias.
Pois sabem. Mesmo os mais pequenitos. Agora introduzir essa variável na equação já é outra história.
Cito um amigo (por isso que ninguém atire pedras) a passar por uma manif de profs:
"Não há-de esta gente manifestar-se contra a avaliação?! Chumbavam todos! Se fossem competentes agradeciam uma avaliação - fosse qual fosse"
Não digo que concordo, não digo que discordo (até porque ao fim de 5 meses os neurónios ainda não voltaram todos) - mas lá me fez pensar, isso fez.
:S lololol para o teu amigo, Repolha. Não concordo nada com ele, mas só por te ter visto por aqui já valeu muito a pena. hihihihi
Eu não me importava de ser avaliada pelos meus "alunos" :)))
Eu sou a favor de uma avaliação externa até porque já meti a pata na poça e perguntei à minha avaliadora se vai para a reforma no próximo ano. Afinal tem só 42 anos e está muito mal estimada, looooolllll! Já lhe perguntei se ela vai ter em conta esse meu comentário porque se assim for não preencho nem mais um papel!!! Aliás não preencho mesmo que a avaliação por lá está suspensa :)))
Oh Repolha, os teus amigos dizem cada coisa!!!
Não concordo nada!
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