terça-feira, junho 06, 2006

24 HORAS de NÓS 3

(back to the long ones depois da abada no post anterior, heheheh)

Fim-de-semana no Porto com a família dele. Na volta passamos nos meus pais. Despedidas e a L. olha para mim e diz «Mamãzinha eu quero ficar. Não te impo’tas??». Eu respiro fundo. Lembro-me, mesmo, do como amava ficar na minha avó. Troco olhares com o pai, percebo que ele não se importa e digo «Sim. Sim.» Sim importo-me, sim podes ficar!! E ela fica feliz, feliz.

E nós regressamos, e eu passo a viagem a fazer o filme.
Sei que ainda nesse dia a minha mãe lhe vai dar banho, o jantar, brincadeiras e mais brincadeiras, invariavelmente vai ver a Branca de Neve e ler um livro da Anita. Antes de dormir vai pinchar muito na cama deles. E antes de fechar os olhos vai perguntar por mim. A minha mãe diz-lhe que fomos ao tostão e ela adormece. E é aqui que eu mais sinto a falta dela. Contam-se pelos dedos de uma mão as noites que lá ficou. Os dias e as tardes são incontáveis.

E no dia seguinte, e porque a minha mãe trabalha fora, ela vai passar a manhã com o meu pai, que trabalha em casa. E ele vai leva-la para a oficina dele, e vai deixa-la brincar com as ferramentas todas tal e qual como fazia comigo, e vai empurra-la no baloiço e vai dar-lhe bolachas para dar à Nokia (a tal da Serra da Estrela que mais parece um urso e que por ser tão grande se deita aos nossos pés para receber mimos). E ela vai ficar muito empertigada (heheh) que ela quer as bolachas mas é para ela!!

E quando chegar a hora vão os dois almoçar a casa das irmãs dele. E elas vão fazer-lhe tudo o que me faziam a mim. Eu naquela casa tinha uma única regra: mal chegava deixava a minha roupa numa cadeira num dos quartos e vestia um “equipamento de guerra”. Calções verdes com um boneco bordado num dos bolsos e camisola vermelha sem mangas. Calculo que no Inverno fosse outro mas este chegou até aos nossos dias e a L. já o veste. E posto isto eu fazia o TUDO o que quisesse. Sem limites, sem restrições. A minha tia M., a mais velha, tinha aliás uma frase engraçadíssima: «Nesta casa não se contraria a menina!!!». E eu aproveitava ao máximo. E comia “alminhas” o dia todo – torradas feitas no forno do fogão de lenha e que além da manteiga levavam açúcar amarelo e canela. E brincava com os coelhos e as galinhas e o cão. Coelhos já não há, mas há galinhas e um cachorro de 3 meses que vai fazer as delícias dela. Crianças e cachorros são das melhores combinações que conheço ;). E lavava no tanque e regava as plantas. No fim de dia era só vestir a minha roupa. Limpinha.

A minha mãe quando sair do trabalho há-de ir lá busca-la e vai com ela visitar as irmãs todas dela. E que muito mais do que “tias-avós” elas são mesmo avós dela. E ela vai pedir para lá ficar. Em casa de cada uma delas. Ela às vezes engana-se e também lhes chama avós. E elas gostam, claro. E vai trazer bolachas e fruta e iogurtes e lembranças de cada uma delas. Que não querem que lhe falte nada.

Há-de chegar ao fim do dia com tanto de feliz como de cansada.

Por muito que me custe a separação eu quero que elas cresçam a sentir que têm resmas de pessoas que as amam muito. Tal como eu sempre senti.

Ontem, quando a fomos buscar… ela fez-nos o favor de vir embora. :D

24 Comments:

Blogger Cool Mum said...

Que bem se deve crescer assim... Adorei!
Eu sei o que é crescer com uma família alargada de várias gerações, mas campo, só nas férias.
:)

junho 06, 2006 4:23 p.m.  
Blogger Repolha said...

Que fantástico!!! E que bem que te saíste com esse "Sim!" LOL E ela? Voltou inchada de alegria? Aposto que sim...

(mas eu gostava mm de perceber a piada anterior... humpf!)

junho 06, 2006 4:47 p.m.  
Blogger S.A. said...

AAHAHAH! Demais! adorei!

junho 06, 2006 4:47 p.m.  
Blogger Flores said...

Conheços umas tias assim, uns avós assim e uma... abada assim LOL

junho 06, 2006 4:51 p.m.  
Blogger Grilinha said...

É importante para eles. Muito. Temos de soltar um bocadinho a garra. Bem sei como custa. A casa fica vazia sem o meu JP...Mas de vez em quando tem de ser. Ele adora a avó e está mesmo muito à vontade com ela. Fazes bem !!! às vezes os papás tb precisam um pouco mais de tempo sózinhos. Aproveita. Beijoquinhas

junho 06, 2006 4:59 p.m.  
Blogger LP said...

Que BOM! Essa parte da minha vida acabou com os meus avós...

junho 06, 2006 5:01 p.m.  
Blogger Gi said...

Que delícia, voltei uns bons anos para trás a ler este post.
Tb prefiro que a minha filhota tenha momentos deste a horas em frente à televisão.

junho 06, 2006 5:01 p.m.  
Blogger sandra said...

Amei cada paragrafo, cada linha.

A primeira noite que a coelhinha ficou com a avó, eu estava no quarto ao lado... acreditas que sonhei toda a noite que tinha ido embora e deixado a minha filha para trás?

Mas é assim que elas crescem...

Bjinhos

junho 06, 2006 5:04 p.m.  
Blogger Tita Dom said...

Bemmmm inspirada mas mesmo inspirada e adorei esse Sim tambem, eu talvez nao o faria!
Mas ela um dia também irá ter as lembranças que a mãe tem e isso é importante e muito bom para o seu crescimento.

Sabes...adorava ter assim uma familia grande... aproveita ao máximo e deixa-as aproveitar, deliciar ao máximo o que tens para lhes dar "familia"...

junho 06, 2006 5:12 p.m.  
Blogger Clarinha said...

Consegui viver um pouco da tua infância, parabéns pela descrição!!Adorei!

junho 06, 2006 5:40 p.m.  
Blogger Quita said...

Lindo! Adorei!! Custa deixá-los mas de facto é tão importante!! Imagina que um dia ela vai ter essas lembranças maravilhosas como tu tens agora....

junho 06, 2006 6:47 p.m.  
Blogger Horas Vagas said...

Sniff.
Está recheado de ternura, este post.
A transbordar...

junho 06, 2006 8:10 p.m.  
Blogger Mae Frenética said...

Q rico dia... tb quero!!! ;)))

junho 06, 2006 8:21 p.m.  
Blogger Unknown said...

Amei o post! :D

junho 06, 2006 9:01 p.m.  
Blogger Ck in UK said...

Zuza, nao imaginas, de maneira nenhuma, como me toca o q disseste. Pq eu passei tardes e dias - e era eu que pedia e implorava - com os meus avos. AVos de ambos os lados. E a minha mae jura a pes juntos q cada vez q me ia buscar eu vinha mais gordinha e com a cara redonda-redonda...de MIMO!

junho 06, 2006 9:24 p.m.  
Blogger Anna^ said...

Enquanto "devorava" este post só me surgia a imagem de uma criança FELIZ!Que felizarda tu foste e que bom que podes dar continuidade a essa felicidade de infância ás tuas zuzinhas :))
Parabéns por tanta ternura :)

bjokas grandes ":o)

junho 06, 2006 11:00 p.m.  
Blogger Mim said...

Tens muita sorte Zuza, eu tenho que ir sempre buscar a minha de volta.
;)

junho 07, 2006 12:09 a.m.  
Blogger Céu Estrelado said...

Bem adorei o post e por momentos eu senti-me na pele dela (feliz e livre) e por outro senti-me na tua (á hora da deita um vazio e uma consciência tranquila!)
Sabia-nos bem a nós e sabe-lhes bem a elas... a saudade é que nos mata mesmo que por uns miseros dias!
Adorei as "alminhas", não conhecia! Eu torrava mais as alminhas!!! lol
Beijos grandes :)

junho 07, 2006 4:27 a.m.  
Blogger Smas said...

Lindo!
Gostava que aqui também fosse assim, mas não é e o meu filho nunca dormiu fora de casa.
Bjs

Não percebi a do Feira Nova, será por não estar aí?

junho 07, 2006 4:51 a.m.  
Blogger a mãe dos miúdos said...

dos posts mais bonitos que li ultimamente.

que sortudas :)

junho 07, 2006 10:08 a.m.  
Blogger Rita said...

q lindo..tanta ternura e uma vontade incrivel de estar no lugar da L.

beijinhos

junho 07, 2006 11:01 a.m.  
Blogger cloinca said...

É, não é?! Eu também sinto isso quando o André quer ficar nos avós...
Mas faz bem a todos: às crianças porque estão felizes, aos avós que adoram estar com os netos... e até a nós, que temos mais um tempinho para nós! Afinal, a vida não é só filhotes! os papás também precisam de tempo para namorar e descansar!
;)
Beijinhos para ti, adorei ler-te!
Cláudia

junho 07, 2006 12:20 p.m.  
Blogger 1gota said...

Que dia magnífico tão bem passado!
E o sorriso nos lábios de quando ela for mãe e se lembrar desses tempos? Tal como estás a fazer agora...

:*

junho 07, 2006 2:45 p.m.  
Blogger Sophie said...

Que maravilha, Zuza!

junho 07, 2006 3:34 p.m.  

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