24 HORAS de NÓS 3
(back to the long ones depois da abada no post anterior, heheheh)
Fim-de-semana no Porto com a família dele. Na volta passamos nos meus pais. Despedidas e a L. olha para mim e diz «Mamãzinha eu quero ficar. Não te impo’tas??». Eu respiro fundo. Lembro-me, mesmo, do como amava ficar na minha avó. Troco olhares com o pai, percebo que ele não se importa e digo «Sim. Sim.» Sim importo-me, sim podes ficar!! E ela fica feliz, feliz.
E nós regressamos, e eu passo a viagem a fazer o filme.
Sei que ainda nesse dia a minha mãe lhe vai dar banho, o jantar, brincadeiras e mais brincadeiras, invariavelmente vai ver a Branca de Neve e ler um livro da Anita. Antes de dormir vai pinchar muito na cama deles. E antes de fechar os olhos vai perguntar por mim. A minha mãe diz-lhe que fomos ao tostão e ela adormece. E é aqui que eu mais sinto a falta dela. Contam-se pelos dedos de uma mão as noites que lá ficou. Os dias e as tardes são incontáveis.
E no dia seguinte, e porque a minha mãe trabalha fora, ela vai passar a manhã com o meu pai, que trabalha em casa. E ele vai leva-la para a oficina dele, e vai deixa-la brincar com as ferramentas todas tal e qual como fazia comigo, e vai empurra-la no baloiço e vai dar-lhe bolachas para dar à Nokia (a tal da Serra da Estrela que mais parece um urso e que por ser tão grande se deita aos nossos pés para receber mimos). E ela vai ficar muito empertigada (heheh) que ela quer as bolachas mas é para ela!!
E quando chegar a hora vão os dois almoçar a casa das irmãs dele. E elas vão fazer-lhe tudo o que me faziam a mim. Eu naquela casa tinha uma única regra: mal chegava deixava a minha roupa numa cadeira num dos quartos e vestia um “equipamento de guerra”. Calções verdes com um boneco bordado num dos bolsos e camisola vermelha sem mangas. Calculo que no Inverno fosse outro mas este chegou até aos nossos dias e a L. já o veste. E posto isto eu fazia o TUDO o que quisesse. Sem limites, sem restrições. A minha tia M., a mais velha, tinha aliás uma frase engraçadíssima: «Nesta casa não se contraria a menina!!!». E eu aproveitava ao máximo. E comia “alminhas” o dia todo – torradas feitas no forno do fogão de lenha e que além da manteiga levavam açúcar amarelo e canela. E brincava com os coelhos e as galinhas e o cão. Coelhos já não há, mas há galinhas e um cachorro de 3 meses que vai fazer as delícias dela. Crianças e cachorros são das melhores combinações que conheço ;). E lavava no tanque e regava as plantas. No fim de dia era só vestir a minha roupa. Limpinha.
A minha mãe quando sair do trabalho há-de ir lá busca-la e vai com ela visitar as irmãs todas dela. E que muito mais do que “tias-avós” elas são mesmo avós dela. E ela vai pedir para lá ficar. Em casa de cada uma delas. Ela às vezes engana-se e também lhes chama avós. E elas gostam, claro. E vai trazer bolachas e fruta e iogurtes e lembranças de cada uma delas. Que não querem que lhe falte nada.
Há-de chegar ao fim do dia com tanto de feliz como de cansada.
Por muito que me custe a separação eu quero que elas cresçam a sentir que têm resmas de pessoas que as amam muito. Tal como eu sempre senti.
Ontem, quando a fomos buscar… ela fez-nos o favor de vir embora. :D
Fim-de-semana no Porto com a família dele. Na volta passamos nos meus pais. Despedidas e a L. olha para mim e diz «Mamãzinha eu quero ficar. Não te impo’tas??». Eu respiro fundo. Lembro-me, mesmo, do como amava ficar na minha avó. Troco olhares com o pai, percebo que ele não se importa e digo «Sim. Sim.» Sim importo-me, sim podes ficar!! E ela fica feliz, feliz.
E nós regressamos, e eu passo a viagem a fazer o filme.
Sei que ainda nesse dia a minha mãe lhe vai dar banho, o jantar, brincadeiras e mais brincadeiras, invariavelmente vai ver a Branca de Neve e ler um livro da Anita. Antes de dormir vai pinchar muito na cama deles. E antes de fechar os olhos vai perguntar por mim. A minha mãe diz-lhe que fomos ao tostão e ela adormece. E é aqui que eu mais sinto a falta dela. Contam-se pelos dedos de uma mão as noites que lá ficou. Os dias e as tardes são incontáveis.
E no dia seguinte, e porque a minha mãe trabalha fora, ela vai passar a manhã com o meu pai, que trabalha em casa. E ele vai leva-la para a oficina dele, e vai deixa-la brincar com as ferramentas todas tal e qual como fazia comigo, e vai empurra-la no baloiço e vai dar-lhe bolachas para dar à Nokia (a tal da Serra da Estrela que mais parece um urso e que por ser tão grande se deita aos nossos pés para receber mimos). E ela vai ficar muito empertigada (heheh) que ela quer as bolachas mas é para ela!!
E quando chegar a hora vão os dois almoçar a casa das irmãs dele. E elas vão fazer-lhe tudo o que me faziam a mim. Eu naquela casa tinha uma única regra: mal chegava deixava a minha roupa numa cadeira num dos quartos e vestia um “equipamento de guerra”. Calções verdes com um boneco bordado num dos bolsos e camisola vermelha sem mangas. Calculo que no Inverno fosse outro mas este chegou até aos nossos dias e a L. já o veste. E posto isto eu fazia o TUDO o que quisesse. Sem limites, sem restrições. A minha tia M., a mais velha, tinha aliás uma frase engraçadíssima: «Nesta casa não se contraria a menina!!!». E eu aproveitava ao máximo. E comia “alminhas” o dia todo – torradas feitas no forno do fogão de lenha e que além da manteiga levavam açúcar amarelo e canela. E brincava com os coelhos e as galinhas e o cão. Coelhos já não há, mas há galinhas e um cachorro de 3 meses que vai fazer as delícias dela. Crianças e cachorros são das melhores combinações que conheço ;). E lavava no tanque e regava as plantas. No fim de dia era só vestir a minha roupa. Limpinha.
A minha mãe quando sair do trabalho há-de ir lá busca-la e vai com ela visitar as irmãs todas dela. E que muito mais do que “tias-avós” elas são mesmo avós dela. E ela vai pedir para lá ficar. Em casa de cada uma delas. Ela às vezes engana-se e também lhes chama avós. E elas gostam, claro. E vai trazer bolachas e fruta e iogurtes e lembranças de cada uma delas. Que não querem que lhe falte nada.
Há-de chegar ao fim do dia com tanto de feliz como de cansada.
Por muito que me custe a separação eu quero que elas cresçam a sentir que têm resmas de pessoas que as amam muito. Tal como eu sempre senti.
Ontem, quando a fomos buscar… ela fez-nos o favor de vir embora. :D

24 Comments:
Que bem se deve crescer assim... Adorei!
Eu sei o que é crescer com uma família alargada de várias gerações, mas campo, só nas férias.
:)
Que fantástico!!! E que bem que te saíste com esse "Sim!" LOL E ela? Voltou inchada de alegria? Aposto que sim...
(mas eu gostava mm de perceber a piada anterior... humpf!)
AAHAHAH! Demais! adorei!
Conheços umas tias assim, uns avós assim e uma... abada assim LOL
É importante para eles. Muito. Temos de soltar um bocadinho a garra. Bem sei como custa. A casa fica vazia sem o meu JP...Mas de vez em quando tem de ser. Ele adora a avó e está mesmo muito à vontade com ela. Fazes bem !!! às vezes os papás tb precisam um pouco mais de tempo sózinhos. Aproveita. Beijoquinhas
Que BOM! Essa parte da minha vida acabou com os meus avós...
Que delícia, voltei uns bons anos para trás a ler este post.
Tb prefiro que a minha filhota tenha momentos deste a horas em frente à televisão.
Amei cada paragrafo, cada linha.
A primeira noite que a coelhinha ficou com a avó, eu estava no quarto ao lado... acreditas que sonhei toda a noite que tinha ido embora e deixado a minha filha para trás?
Mas é assim que elas crescem...
Bjinhos
Bemmmm inspirada mas mesmo inspirada e adorei esse Sim tambem, eu talvez nao o faria!
Mas ela um dia também irá ter as lembranças que a mãe tem e isso é importante e muito bom para o seu crescimento.
Sabes...adorava ter assim uma familia grande... aproveita ao máximo e deixa-as aproveitar, deliciar ao máximo o que tens para lhes dar "familia"...
Consegui viver um pouco da tua infância, parabéns pela descrição!!Adorei!
Lindo! Adorei!! Custa deixá-los mas de facto é tão importante!! Imagina que um dia ela vai ter essas lembranças maravilhosas como tu tens agora....
Sniff.
Está recheado de ternura, este post.
A transbordar...
Q rico dia... tb quero!!! ;)))
Amei o post! :D
Zuza, nao imaginas, de maneira nenhuma, como me toca o q disseste. Pq eu passei tardes e dias - e era eu que pedia e implorava - com os meus avos. AVos de ambos os lados. E a minha mae jura a pes juntos q cada vez q me ia buscar eu vinha mais gordinha e com a cara redonda-redonda...de MIMO!
Enquanto "devorava" este post só me surgia a imagem de uma criança FELIZ!Que felizarda tu foste e que bom que podes dar continuidade a essa felicidade de infância ás tuas zuzinhas :))
Parabéns por tanta ternura :)
bjokas grandes ":o)
Tens muita sorte Zuza, eu tenho que ir sempre buscar a minha de volta.
;)
Bem adorei o post e por momentos eu senti-me na pele dela (feliz e livre) e por outro senti-me na tua (á hora da deita um vazio e uma consciência tranquila!)
Sabia-nos bem a nós e sabe-lhes bem a elas... a saudade é que nos mata mesmo que por uns miseros dias!
Adorei as "alminhas", não conhecia! Eu torrava mais as alminhas!!! lol
Beijos grandes :)
Lindo!
Gostava que aqui também fosse assim, mas não é e o meu filho nunca dormiu fora de casa.
Bjs
Não percebi a do Feira Nova, será por não estar aí?
dos posts mais bonitos que li ultimamente.
que sortudas :)
q lindo..tanta ternura e uma vontade incrivel de estar no lugar da L.
beijinhos
É, não é?! Eu também sinto isso quando o André quer ficar nos avós...
Mas faz bem a todos: às crianças porque estão felizes, aos avós que adoram estar com os netos... e até a nós, que temos mais um tempinho para nós! Afinal, a vida não é só filhotes! os papás também precisam de tempo para namorar e descansar!
;)
Beijinhos para ti, adorei ler-te!
Cláudia
Que dia magnífico tão bem passado!
E o sorriso nos lábios de quando ela for mãe e se lembrar desses tempos? Tal como estás a fazer agora...
:*
Que maravilha, Zuza!
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