terça-feira, março 14, 2006

SAUDADES (ou a falta delas…)

A L. tem uma noção muito boa dos dias da semana.
Sabe que 2ª feira começa a escolinha e quando acorda diz logo “despacha mamã qui tamos atraxadas” (até tu filha???), que à 4ª feira é dia de ginástica e por isso pergunta “ondi tá o fato teino?”, que à 5ª feira é dia de feira na terrinha e então “bamos à bolta?”, que ao sábado não há escolinha e afirma “hoje tou de férias!” e por aí adiante.
O que eu não pensei é que esta noção fosse tão apurada.
Na 6ª feira de manhã ela perguntou pelo pai (está habituada a ir muitas vezes dormir sem o ver, mas raramente a acordar sem ele em casa). Eu disse-lhe a verdade, pois claro. Que ele tinha ido viajar, o que foi fazer e quando voltava. Até hoje ela não voltou a perguntar por ele.
São raríssimas as vezes que ele viaja sem nós, portanto o hábito não é explicação.
Na escolinha continuam a dizer-me que ela volta e meia pergunta pela mãe e pela J. Nunca pelo pai.

E eu, a ciumenta mor cá de casa, estou triste… estou triste porque acho que tudo estaria a ser mais fácil para ela se tivesse o pai como aliado, como cúmplice.
Claro que fico de ego inchado ao saber (e sei!) que estou a dar conta do recado. Que neste momento é-me muito fácil ficar com as duas (eu… que quando a J. nasceu, tinha medo de ficar com ela sozinha. Sim, a J, leram bem). Gosto de ser a preferida, eheheh, mas não queria ser tanto.

Quando decidimos aumentar a família o Zuzo era sem dúvida o preferido. Era ele que lhe levava o biberão à cama, que a vestia, que lhe lavava a cara e punha creme, que a levava para casa da mãe dele e que muitas vezes almoçava com ela. Era ele que ela queria ao adormecer. E eu pensei, por isso que a chegada da irmã lhe provocasse poucos ciúmes. Realmente não me parece que os ciúmes sejam amais que o recomendável e saudável, mas porque eu me desdobro e principalmente porque a J. exige muito pouco de mim. Parece que adivinha…
A L. faz questão de frisar “eu sou da mamã, a J. é do papá”!
Com a entrada para a escolinha (antecipada por motivos muito tristes e que qualquer dia talvez relate aqui), passei eu a desempenhar todas essas tarefas com a L. E ela, exagerada, começou a afastar-se do pai. Ele tenta. Ele esforça-se, mas ela é absolutamente radical.
Com as férias no Verão tudo piorou. Eu transformo-me. Fico a pessoa mais adorável do mundo. Fico tão feliz que contagio tudo, eheheh. Oh pra mim em fim de gravidez, quase redonda, a brincar, a nadar, a correr, a saltar, sempre com ela ao colo. Sempre juntinhas. Nessas férias ela inventou a expressão que até hoje mais abalou a minha alma, a propósito de tudo agarrava-se, e agarra-se, a mim e dizia, e diz, “FILHA-MÃE” repetidas vezes… Isto sem entoação perde a graça toda, mas é tão mágico que o pai logo tratou de encomendar um “filha-pai” e a avó “um neta-avó” mas sem qualquer sorte, diga-se já! eheheheh
E com o nascimento da J. toda a situação se manteve.

O Zuzo? Encara tudo com a maior calma, com a maior naturalidade, como que à espera que ela volte… ele que se recusa a ler livros e revistas de especialidade, mas que age como se toda a vida tivesse sido pai. Como em tudo o resto na vida, ele é a segurança em pessoa.

Eu? As minhas saudades dele? Acho, sinceramente, que desta vez não tive tempo. Percebi, óbvio, a falta que me faz, até nas coisas “pequenas” que vai fazendo por casa e que permitem que eu não chegue ao fim do dia moída…

Mas eu aposto que, amanhã, o reencontro vai ser tão intenso como sempre foi!

7 Comments:

Blogger Rita said...

A parte boa das viagens são os reencontros os regressos os beijos e abraços de quem teve muitas saudades. Não me espanta a L preferir a mãe agora, assim como não me espanta que volte um dia a preferir o pai. Mas ela é uma menina, é natural que se identifique mais contigo e lá por isso não quer dizer que goste menos do pai.
Bom reencontro para os 4
Beijinhos

março 14, 2006 1:27 p.m.  
Blogger Flores said...

Claro q vai mudar. Já ouviste falar de Freud? O Zuzo cá de casa tb tem uma paciência infinita, mas acho q está com azar. Nós temos um gajo. Mãe, filho... ehehe. Qto aos reencontros, bem... Acho q já te falei das prendas.

março 14, 2006 1:40 p.m.  
Blogger Zuza said...

flores, eheheh, mas nós temos duas gajas... logo uma fica comigo,... digo eu, que sempre fui, e sou, menina do papá!!!
as prendas... com sorte, mas muita sorte levo um telemóvel novo! E não era mau, se fosse igual ao anterior mas em preto... mais fashion. Também há em rosa choque mas eu sou muito pouco dessas sofisticações...

março 14, 2006 1:45 p.m.  
Blogger Repolha said...

:) Bom dia minha linda.
Às vezes nem há tempo para sentir saudades... Sobre o apego da L. à mãe e não ao pai, penso que é natural. Acho que vão passando por fases: às vezes são só filhos da mãe, outras são só filhos do pai (e qd estão doentes são quase sempre só filhos da mãe). E as circunstâncias (q desconheço) são sempre determinantes. Aliás, a chegada da J., que esteve dentro da barriga da mãe e não do pai, acaba por ser determinante nessa demarcação territorial, julgo. Mas ainda nã tenho o canudo de psicóloga LOL
Beijinhos

março 14, 2006 4:45 p.m.  
Blogger . said...

Espero que o zuzo não sofra muito com isso. Embora todos saibamos que é natural e que possa ser uma etapa (ou não), eles às vezes ficam com pena de não serem os predilectos. (Eu vejo o beicinho disfarçado do meu marido quando o Bi SÓ faz determinada gracinha comigo e com ele não). Contra relações especiais nada a fazer. Não ficaria muito contente se o meu Bi tivesse preferência pelo pai, mas também não ficaria muitooo triste. Desde que houvesse lá um cantinho para mim. Por acaso sempre achei que a relação das meninas com os pais eram mais fortes. Eu noto isso agora, já na idade adulta. Tenho uma relação de amizade com o meu pai que não consigo ter com a minha mãe (qdo era miúda pai representava algo mais distante, quase nunca o via). Mas como diz a Carla, qdo estou doente ou aflita lembro-me muito mais da minha mãe. Equilíbrio!


*PERDOA-MEEEEEEEEEEE!
**Carla, podias vir intervir a meu favor?

março 14, 2006 5:25 p.m.  
Blogger Mae Frenética said...

Olá Zuza!

Eu acho tão somente que o Zuzo não se entristece pela simples razão que gosta tanto de vocês que fica feliz por ver a vossa união.

Eu até acho que a relação pai e filhA é mais forte. Por isso, o Zuzo não perde por, mais cedo ou mais tarde, ter o "Complexo de Édipo" à perna.

Um beijinho.

março 14, 2006 10:25 p.m.  
Blogger RB said...

tudo isso é natural! mas o que é hoje, não será provavelmente o que será amanha!
com um ou com outro, tem os dois no coração!
E no fundo, mãe é mãe!!!

março 15, 2006 2:24 a.m.  

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